sexta-feira, 15 de julho de 2011

Por detrás das máscaras

O que você faz quando ninguém te vê fazendo ? 
O que você queria fazer se ninguém pudesse te ver ?

Em particular, gostei bastante dessas interrogações provocativas! Acho instigante isso de saber a realidade que se passa por trás das máscaras, sabe? Há atitudes que só são tomadas com o objetivo de mostrar/provar algo a alguém. Outras tantas não são realizadas pelo medo que as pessoas têm de não alcançar as expectativas de outrem. Isso configura-se o medo de mostrar quem realmente é.
Eu sou, obviamente, a favor do bom senso: que as pessoas não devem agir/falar como querem, só pra serem verdadeiras. Contudo, acho que fingir ser uma personagem apenas pra agradar outra pessoa é tolice, afinal, de que vale ser amado/admirado pela personalidade que, na verdade, não é sua? No final, todos perdem: quem muniu-se de máscaras e até quem despertou sentimentos por quem se comportou de forma falsa.
Pra ser sincera, acredito ser uma tarefa não tão fácil se transparecer quando muitas características internas são diferentes daquelas - tidas na sociedade - como normais. Eu mesma passo por isso em vários âmbitos, a música é um simples e bom exemplo: quando pegam meu celular - na tentativa de escutar músicas - exclamam: aah, aqui só tem música antiga, sem graça. Nesse momento, sou a desatualizada por não gostar desses atuais sons que chamam de música. Pois sim, gosto de "música de velho", do meu bom MPB, que pelo menos letra tem!
Deixando minhas indignações pessoais de lado e percebendo o quão a avaliação das pessoas é importante pra nós, vejo que a questão " O que você queria fazer se ninguém pudesse te ver?" ganharia inúmeras respostas - pelo menos pra mim -, algumas até mesmo inesperadas! Às vezes, vale a pena sair do usual, do esperado e inovar com aquelas ideias que sempre estiveram na sua cabeça, mas nunca houve coragem pra pô-las em práticas.

#Hora de escutar:


Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar,
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade
A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta
Todos caminhos trilham pra a gente se ver
Todas as trilhas caminham pra gente se achar,
Eu ligo no sentido de meia verdade
Metade inteira chora de felicidade
A qualquer distância o outro te alcança
Erudito som de batidão
Dia e noite céu de pé no chão
O detalhe que o coração atenta 



Tudo Diferente - Maria Gadú

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Surto de sinceridade.



Vontade maldita de te beijar e sentir teu cheiro. 




Quero você. Quero eu. Quero cama desarrumada, lençol, café e travesseiro. Quero seu beijo. Quero seu 

cheiro.


              

Vem, antes que eu me vá, antes que seja tarde demais. Vem, que eu não tenho ninguém, e te quero junto a mim.

                                     

                                                        Caio Fernando


Eu = comoção

“Sinto-me como uma estranha, na verdade represento mal o papel que a sociedade impõe a cada um de nós, não sei lidar com meus conflitos e no fundo só preciso de um pouco de afeto.
As pessoas me assustam, me envergonham, me deixam com medo, mas também acima de tudo me comovem, e com muita frequência.”
Caio Fernando


Na verdade, não preciso nem falar muito: esse escritor simplesmente consegue me definir! Desse trecho, a parte que devo frisar mais ainda é " As pessoas me comovem, e com muita frequência ". Bem no fundo, eu não gosto disso. Pensando bem, acho isso muito injusto: o poder que as pessoas têm na minha vida ao ponto de me influenciarem, magoarem, me comoverem.
Em suma, há uma grande preocupação minha em relação ao meu futuro - essa coisa de ser médica mesmo que por basicamente tudo eu me comova: seja situações conflituosas das pessoas; a dor de outras; ou até mesmo de animais. Enfim, tudo me traz comoção, tudo me leva ao choro. 
Por outro lado, vejo uma coisa boa nisso - como sempre - , se todas essas coisas me causam enorme desconforto emocional, seguindo um raciocínio lógico, me esforçarei ao máximo a fim de findá-las ou, no mínimo, amenizá-las. É, tentarei pensar só nessa última parte, o otimismo é o que há!

PS : Provavelmente os próximos posts terão textos mais informativos e menos melosos - estilo diários e cheios de subjetividade -, como esses últimos. Mais racionalidade e menos romancismo, ainda que isso seja só aqui.

#Hora de escutar:

Tava pensando em nós dois
Buscando um jeito inédito
Pra falar de amor
Nem reparei que o tempo passou

Sonhando, pensando, querendo
Meus olhos caçando você
Pensando, sonhando, querendo
Minha boca mirando você

Já é suficientemente especial
Posso dizer
Que encontrei a cara metade
Que eu sempre busquei

Basta olhar pra você
Pra minha boca querer
Um beijo bis

Tenho a sorte de ter
Alguém como você
Sou feliz 

Pensando em nós - Samir

domingo, 26 de junho de 2011

As coisas vão dar certo. Se não, a gente inventa.

As coisas vão dar certo. Vai ter amor, vai ter fé, vai ter paz – se não tiver, a gente inventa.
Caio Fernando Abreu.


Passaram 2 meses desde a minha última postagem no blog :/ Sorry, mas eu tava resolvendo minha vida e é claro estudando, porque né... alguém tem que estudar aqui kk. Mas, enfim basicamente tudo está se resolvendo!
Tomei pra mim (de novo, mais uma vez kk)essa frase de Caio Fernando. Na verdade já faço isso na minha vida - e muito bem, segundo algumas pessoas -, mas agora quero tomá-la como um certo lema: mesmo que as coisas não estejam estabilizadas, certas; continuarei a encontrar algo dentro de mim que me fará ver que ainda há coisas boas e que, portanto, não deverei me abater. É tão bom ver consigo tirar uma aprendizagem das situações ruins que ocorrem comigo e o quão forte sou nelas. Na verdade, é mais gratificante ainda perceber que enquanto uma ou outra pessoa me entristece, muitas outras estão, ao meu lado, dispostas a fazer de tudo pra me fazer sorrir.
Contudo, depois que me vieram todos esses pensamentos otimistas a cerca do aforismo de Caio Fernando, pensei nesse " a gente inventa". Sinto, principalmente hoje, que a invenção está notória no meu dia-a-dia e não me encontro muito feliz com isso. Idealizar coisas é muito bom, mas depois de um certo tempo - quando confronta-se o sonho com a realidade - perde todo o encanto.
Escrevendo isso me lembrei da aula de português da semana passada, na qual lemos um texto que falava de um homem que ao ir pro cinema, esqueceu de voltar para casa. Ao se deparar com a tela do cinema e a uma realidade totalmente diferente da sua, ele simplesmente começou a acreditar muito naquilo que via e esqueceu  de si. Adoro os comentários que Flavinha, minha professora, faz na sala, porque muitos deles parecem ser exatamente pra mim; e ela afirmava justamente isso: algumas pessoas simplesmente fantasiam as coisas e vivem acreditando nelas, pensando que tudo vai dar certo. Tô tentando tomar uma dose de realismo pra ver se passo a crer mais naquilo que vivendo e menos em idealizações.


#Hora de escutar:

Fiz o possível
Prá não dar bandeira
Até pensei
Que não era comigo
Mas você foi mais
E mais se chegando
E apertando o cerco
Usando todas as armas
Que sabe usar uma mulher
Quando quer...
Pois então vem
Completa agora
O teu feitiço
Vem!
Não faz essa cara
De quem
Não tem nada com isso
Vem!
Para com esse papo
De o que é que eu fiz?
Faça o que quiser
Eu me entrego
Mas me faça feliz... 



Eu me rendo  - Fábio Jr.

sábado, 16 de abril de 2011

Além

Isso de ser exatamente aquilo  que a gente é  ainda vai  nos levar além
                                                                     Paulo Leminski


Talvez a interpretação dessa frase defina o meu estado de espírito. Talvez. Contudo, só essas palavras são necessárias agora.


#Hora de Escutar:


Seis da tarde
Como era de se esperar
Ela pega
E me espera no portão
Diz que está muito louca
Prá beijar
E me beija com a boca
De paixão...

Toda noite ela diz
Pr'eu não me afastar
Meia-noite ela jura eterno amor
E me aperta pr'eu quase sufocar
E me morde com a boca de pavor...

Todo dia ela faz
Tudo sempre igual
Me sacode
Às seis horas da manhã
Me sorri um sorriso pontual
E me beija com a boca
De hortelã...

Cotidiano - Chico Buarque

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Simplesmente me abrace

Não fosse isso
e era menos
não fosse tanto
e era quase,
                                        Paulo Leminski

Hoje, palavras não bastam para explicitar o quão bem estou por começar a mudar as coisas que me machucam, com a ajuda de uma amiga mais do que especial. Sentimentos de dúvida, felicidade, cumplicidade e a tão nova persistência, estão batidas no liquidificador que se chama coração. Como ela me disse hoje, vamos acalmar esse coraçãozinho, Kesia :)

# Hora de escutar:

Sutilmente
E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
Quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
Quando eu estiver fogo
Suavemente se encaixe

E quando eu estiver triste
Simplesmente me abrace
E quando eu estiver louco
Subitamente se afaste
E quando eu estiver bobo
Sutilmente disfarce
                                                                                                             Nando Reis 

quarta-feira, 23 de março de 2011

O esteriótipo pré-estabelecido de beleza

Hoje foi um dia relativamente normal aos que têm bloco de prova: como sempre uma prova não foi muito boa, e por mais incrível e paradoxo que possa parecer, foi a biologia. :/ Tudo bem, foi só uma prova. Em compensação eu acho que as minhas provas de literatura e redação foram melhores que anteriores, tomara que esteja certa.
Sim, o tema da redação, que passei um tempão pra fazer, era globalização: influência do Ocidente no padrão de beleza mundial, e achei interessante discorrer um pouco sobre tal assunto.
No mundo em que vivemos, não há como negar a "imposição" que a mídia faz para que todos nós encaixemo-nos nos padrões de beleza pré-estabelecidos. Essa é a condição para se seja bem visto e uma pessoa bem-sucedida. E é com essa pretensão que milhares de pessoas fazem cirurgias. Tudo bem que a correção da imperfeição de algo no corpo, irá aumentar a alto-estima do indivíduo, mas fazê-la apenas afim de seguir um estereótipo criado pela atual sociedade, não é algo muito desejável.
O problema é que esse desejo por querer se igualar ao que é tido como ideal chega a ferir a cultura local como ocorre nas nações orientais e africanas. Os orientais, com a finalidade de se aproximar dos modelos ocidentais, recorrem às plásticas para corrigir as "imperfeições" dos rostos clássicos do Oriente (olhos puxados ...), ou fazem métodos arriscados e dolorosos, quebrando o próprio osso da pernas, para aumentar de 10 cm as suas estaturas.
O mais impressionante, na minha opinião, são os africanos que tendo a sociedade ocidental com bem-desenvolvida, utilizam produtos abrasivos para acabar com a melanina e assim tornarem-se menos negros. Tais processos provocam desde queimaduras até câncer de pele. Mas, as 67% das mulheres de Senegal que realizam esse tipo de despigmentação artificial nem sequer pensam nas consequências de seus atos.
O problema de tudo isso é que ao super valorizar o modelo de beleza ocidental, as nações acabam deixando para atrás a sua identidade e peculiaridade que são tão importantes. Ainda que não seja fácil, é necessário ter cautela e senso crítico ao querer mudar algo superficial do seu corpo. Cuidado, talvez o que você realmente precisa mudar está dentro e não fora de si.

# Hora de escutar:

Você diz que eu te assusto
Você diz que eu te desvio
Também diz que eu sou um bruto
E me chama de vadio
Você diz que eu te desprezo
Que eu me comporto muito mal
Também diz que eu nunca rezo
Ainda me chama de animal
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo é do amor
Que você guarda para mim
Você não tem medo de mim
Você não tem medo de mim
Você tem medo de você
Você tem medo de querer...

 Medo de Amar - Adriana Calcanhotto

quarta-feira, 16 de março de 2011

Minha paixão indiscutível

Mesmo com todas dúvidas, incertezas e problemas, há uma coisa que aflora um sentimento inexplicável de felicidade: biologia, ciência, saúde e afins. Postei um monte de coisas aqui, mas nunca tinha explicitado essa minha grande paixão! Não sei como isso foi ocorrer, puro desleixo meu! Mas tudo bem, não há problema em se falar disso agora.
Lembro-me como se fosse hoje lá do comecinho do ano, quando eu assistia a aula de biologia, meio que por assistir mesmo. Então, veio a genética com DNAs e RNAs e tudo o que se direito, não é mesmo? Foi o que se chama de amor à primeira vista, uma paixão surpreendente! Aí, comecei a ler tudo que vinha a minha vista sobre  qualquer assunto relacionado à vida. Nessa hora caiu a ficha: é, o meu destino é medicina mesmo, não tem como não ser.
Ah, já ia me esquecendo, uma pessoa que teve grande influência nisso foi, é claro, minha professora de biologia, Sílvia, que a cada aula me fascinava com o seu conhecimento e amor pela ciência. Toda aula, eu a enchia de perguntas e mais perguntas, que mesmo desvirtuando um pouco assunto, eram sempre respondidas. Que saudade sinto das aulas de Silvinha!!
Mas, como tudo tem que passar, estou cá eu no 2º ano, à um ano de fazer o tal do enem, expectante pra concorrer por medicina e consolidar aquilo tem avassalado meu coração: a arte de estudar a vida, em especial a humana, contribuindo para, quem saber, poder auxiliar as pessoas a viverem mais e melhor.
# Hora de escutar: 
Não se move uma montanha
Por um pálido pedido
De alguém que não se ama
Todo ouro está contigo

Para isso há muita chama
No coração do bandido...
Mais uma vez o dia chega
Em minha vida...
Como uma chama na selva
O sol na cama da relva
A tua boca e a lua
A minha boca e a tua
Vão deixando pela rua...
Palavras e silêncios
Que jamais se encontrarão... 
Não se move uma montanha
Por um pálido pedido
De alguém que não se ama
Todo ouro está contigo
Para isso há muita chama
No coração do bandido... 
Mais uma vez o dia chega
Em minha vida...
Como uma chama na selva
O sol na cama da relva
A tua boca e a lua
A minha boca e a tua
Vão deixando pela rua...
Palavras e silêncios
Que jamais se encontrarão... 
Palavras e silêncios - Zeca Baleiro e Fausto Nilo

sábado, 5 de março de 2011

Momento II

E quando não se tem nada mais pra falar, porque, ao que parece, as palavras já não têm mais sentindo pra mim, ou pra quem quer que deveria ter? E se já não se sabe o que sentir, pois cada sentimento se traduz em pura confusão e desejos frustrados? E se sonhar não entusiasmar mais, pois resulta apenas em idealizações bem distantes da realidade? Todos esses questionamentos de repente formaram uma mixórdia na minha pobre mente confusa por natureza.
É, Kesia, agora resta a você, fazer escolhas e ser responsável por suas consequências, independentes de quais forem, e se ocorrer tudo bem, quem sabe tudo -ou quase tudo- mude? As coisas só podem se resolver se primeiro reconheçamos que há se um problema que precisa ser resolvido e enfim, termos persistência para agirmos de maneira coerente e sensata. Bom, o primeiro passo já foi dado, vejamos o resto do percurso.

# Hora de sentir:


Quando penso em você
Fecho os olhos de saudade
Tenho tido muita coisa
Menos a felicidade
Correm os meus dedos longos
Em versos tristes que invento
Nem aquilo a que me entrego
Já me dá contentamento
Pode ser até manhã
Sendo claro, feito o dia
Mas nada do que me dizem me faz sentir alegria
Fagner - Canteiro

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

happy :)

Fazia um tempinho que não vinha aqui, tinha muitas provas, trabalhos e atividades, mas revolvi dar uma breve passada por aqui agora :). Pois é, com todo esse momento ocupado e algumas provas não muito boas, estão acontecendo coisas boas ao meu redor, aah e como isso é bom! Enfim, estou me dando a oportunidade de fazer algumas coisas diferentes e portanto passar por situações desconhecidas. Mas, vamos voltar para uma paixão antiga: a literatura! Fiquei lendo umas poesias de Gonçalves Dias e simplesmente me apaixonei por ele! A delicadeza como escreve as coisas, o sentimentalismo que expressa em cada verso é um delírio. Visto isso, resolvi colocar aqui uns versos apaixonantes:

# Hora de se apaixonar:

Amar, é não saber, não ter coragem
Pra dizer que o amor que em nós sentimos;
Temer qu’olhos profanos nos devassem
O templo onde a melhor porção da vida
Se concentra; onde avaros recatamos
Essa fonte de amor, esses tesouros
Inesgotáveis d’lusões floridas;
Sentir, sem que se veja, a quem se adora,
Compreender, sem lhe ouvir, seus pensamentos,
Segui-la, sem poder fitar seus olhos,
Amá-la, sem ousar dizer que amamos,
E, temendo roçar os seus vestidos,
Arder por afogá-la em mil abraços:
Isso é amor, e desse amor se morre!
Se se morre de amor - Gonçalves Dias

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